Pessoal, tenho acompanhado de perto a evolução dos VEs aqui na região e uma dúvida não sai da minha cabeça: **alguém aqui já precisou de oficina fora da concessionária e ficou na mão?
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A gente sabe que a promessa do carro elétrico é “manutenção zero”, mas a realidade do asfalto e o fim das garantias mostram que a história é outra. Hoje, se você tem um problema fora do manual básico, parece que o único caminho é aceitar o orçamento (e o prazo) da autorizada.
Eu atuo no ramo e estou seriamente avaliando a viabilidade de trazer uma oficina especializada em VEs para Curitiba. Um centro técnico preparado para o que as oficinas comuns ainda não entendem: eletrônica de potência, saúde de bateria e diagnóstico real.
Mas, antes de qualquer passo, queria ouvir de quem está no dia a dia:
Vocês sentem que falta essa opção de confiança na cidade?
O que mais incomoda hoje no pós-venda das marcas atuais?
Se o mercado está carente, talvez seja a hora de Curitiba ter uma referência técnica independente. O que vocês acham?
Antes de mais nada, parabéns por estar abraçando a inovação ao invés de desincentivar ela.
Não posso falar sobre Curitiba especificamente. Mas vejo que, fora das concessionárias, todo lugar parece estar a pé. E não somente em casos complexos, coisas “mais simples” como alinhamento, por exemplo, já não são tão simples de se encontrar fora.
Creio que a imensa maioria dos EV atuais ainda estejam na garantia, mas é provável que nos próximos 1-2 anos comece a surgir uma demanda maior pra manutenção fora da rede de concessionárias.
É isso aí!
Você comentou de alinhamento.
O balanceamento e alinhamento é igual entre um VE e combustão, até onde sei. A orientação das montadoras de VE é de maior frequência no alinhamento por conta do maior uso (tração instantânea + frenagem regenerativa).
Queria entender melhor a tua experiência.
Obrigado!
Teoricamente sim, porém vemos inúmeros relatos de centrais de serviço especializados se negando a realizar o procedimento em elétricos em geral.
A central que eu sempre fui cliente se negou por “não ter os parâmetros do carro”. Troquei a central e consegui realizar o procedimento, porém a mesma central agora diz não poder fazer o serviço por ter “algo específico do elétrico que eles não tem como fazer” (mas como fizeram da primeira vez então? ).
Enfim, no meio de mecânicos ainda existe muita desinformação acerca de elétricos. Muitas dessas pessoas são “cabeça fechada”, acreditam em qualquer merda e se recusam a se “aventurar” com receio de ter algum problema. Por isso fiz questão de elogiar a sua abertura para o assunto.
Obrigrado por compartilhar, não sabia que tinham centrais se recusando!
O que eu sei que tem de específico é algumas questões de troca de pneu por conta dos sensores de pressão. Mas novamente não é uma questão do elétrico em sí.
Suspensao e pneus são exatamente como nos outros carros, inclusive tem relatos de peças de outras marcas que servem nos Dolphins (Mini/GS/Plus).
Fiz troca de pneu, alinhamento, balanceamento e verificação de cambagem sem problemas em.uma oficina na região (Vinhedo/SP).
Mas realmente ainda tem algumas oficinas que acham os elétricos coisa de outro mundo.
Sobre desgaste dos pneus, vai muito da forma de uso. Com o torque instantâneo, se o motorista tiver pé leve vai economizar pneu, já os pés pesados vão gastar bastante.
Quanto a frenagem regenerativa, não tem muito a ver com desgaste. Os pneus não sabem se quem está desacelerando é o motor ou o disco de freio. Mais uma vez, vai do pé do motorista.
Não vejo motivo para uma maior checagem do alinhamento.
Oficinas especializadas são muito bem vindas, não só para os elétricos como para os híbridos plugin também.
Se você se especializar em baterias, mais nicho ainda. A bateria dos Dolphins é de difícil manutenção, as células são coladas. Mas já vi oficinas chinesas que arrumam e trocam as células dos BYDs. Acho esse um diferencial enorme.
Só por curiosidade, o que fazem é congelar o pack inteiro, em um freezer gigante. Assim a cola fica dura e quebradiça, permitindo a troca de celulas individuais.
Alinhamento e balanceamento, além da conferência dos discos e pastilhas, faço na DS Pneus, que hoje é parte da rede Porto Seguro, aqui em Natal/RN.
Eles atualizaram a máquina de alinhamento, copiando os parâmetros da BYD e deu tudo certo. Cuidado com esse detalhe: a máquinaprecisa estar com oa parâmetros corretos. Amigo meu perdeu os pneus, por alinhamento mal feito.
Já os serviços na concessionária Carmais aqui da minha cidade são terríveis. Só levo em último caso, porque sempre passo dias sem o carro e dificilmente resolvem o problema a contento. Nesta semana, levei o meu carro na terça-feira, pela manhã, pra verem um barulho no encosto do banco do motorista e, na sexta-feira, fui lá pegar de volta, sem conserto pra não ficar uma semana inteira sem o carro. Eles não tinham nem pego no carro.
A BYD, pelo menos aqui em Natal/RN, vende muito mais carros do que consegue dar conta de atender na oficina.
Vou dar meu depoimento aqui, tenho um Dolphin GS que ate o momento é só alegria com 35mil km. Porém meu sogro tem um Dolphin Plus, que recentemente tem deixa-lo na mão, descarregando a bateria de 12v e tendo que fazer uma “chupeta” (no cofre do motor para quem nao sabe, tem onde inserir 12 externo). Meu sogro levou para a CCS e eles ficaram um tempão para descobrir o problema, na verdade acho que saíram trocando tudo que podiam! ao final dizem que resolveram, mas ai veio o problema! pelo aplicativo da BYD meu sogro acompanha o status do veiculo, nesse momento mostra o odometro com 0km rodados!! ai a CCS disse que nao podia entregar o carro assim, que precisava inserir o km antigo (22mil km) e nao estava conseguindo, disse que a troca do modulo fez isso! A questão que já faz quase 2 meses que ele deixou o carro e a novela de tentar configurar ja tem quase 1 mes! engenheiros da BYD do Brasil ja tentaram e agora estão dizendo que dependem de um engenheiro da CHINA!! que o cara de la que vai resolver! nesse exato momento o carro liga, mas não anda! (devem ter mexido muito). Resumo: Os mecânicos não sabem mexer no carro!! impressionante, o hardware esta bom, mas NINGUEM sabe configurar!!! esse será o futuro dos mecânicos! esqueça a graxa, serão técnicos em eletrônica e informática…meu sogro está puto!! e ainda tem mais, esse carro dele, ele comprou usado de um youtuber gaúcho famoso que tem um programa sobre carros… e o mesmo vendeu porque ficou puto com a BYD e hoje tem um volvo elétrico…
Em especial esta questão de congelamento para troca de células específicas. Me pergunto se ao congelar a pasta térmica não fica danificada. Será que ela volta às características?
Júlio, se tiver algum vídeo ou indicação dessa manutenção fiquei interessado.
Falei com meu cunhado hoje (ele que esta resolvendo), hoje o hodômetro esta aparecendo a km (ele ve no app). Mas segundo a CCS o carro nao anda.. estão perdidos.. ele tambem esta em contato com o SAC da BYD, que diverge das informações da CCS. A CCS diz que pediu uma peça e o SAC desmente, depois informa que pediram outra.. ta confuso e meu sogro puto! Hoje ele vai entrar na justiça, pois próximo sábado vai fazer 2 meses sem o carro! Apesar de tudo, a BYD esta fornecendo um carro reserva durante todo esse periodo e demonstrar querer resolver! o problema que os tecnicos nao sabem resolver.
Estava assim:
Não sei sobre a pasta térmica, teria que pesquisar/testar. Mas se fazem desta forma imagino que não deve ter problemas.
Puxa, sobre vídeos, não guardei os que vi só aparecem no meu perfil de vez em quando. Teria que pesquisar.
Sigo o Epicentro Sound no YouTube. Ele desmonta packs para vender células. Ele tem uma técnica para desmontar as baterias, mas não sei se vai compartilhar ou é “segredo industrial” rs. Um tempo atrás sugeri pra ele procurar um engenheiro químico para ajudar em algum solvente para a cola da BYD que é muito forte. Ele comentou depois que tinha feito isso.
Um perfil no Insta que me lembro é @automaster72. Tem uns vídeos interessantes e vende curso, mas tem comentários que o curso é scam. Fica de olho e boa sorte na pesquisa!!
Vai fundo meu nobre!!! Sou de Curitiba também… pensa num povo chato, desconfiado, mas atento a todas as novidades. Vejo que a maioria das pessoas (isto inclui os prestadores de serviço) ainda acham o carro elétrico uma coisa de outro mundo. Sou engenheiro, entusiasta dos VEs e observador do comportamento das pessoas quando o assunto são as novas tecnologias. Devido ao alto valor agregado neste produto, tanto o proprietário, quanto o prestador de serviço tem medo de botar a mão… natural, por ser algo ainda muito pouco explorado e com muitos mitos a serem derrubados. Desde a questão do medo de incêndio em condomínios, passando pelo medo de danificar as baterias que “custam o valor do carro” (na visão destes), até comentários do tipo: “Quero ver este carro elétrico em Curitiba no inverno”. São muitas bizarrices.. rsrsrsrs .
Portanto, concluíndo, acho que é um grande desafio ser o desbravador deste nicho, contudo, são os desbravadores que acabam se sobressaindo no futuro, tendo maior visibilidade e confiança do público. É a marca que se torna referência naquele seguimento, se bem qualificada desde o início.