Pessoal, não sei se já aconteceu com alguém aqui, mas na noite de 3/março por volta das 23h tivemos 2 pontos de carregamento apresentando sobreaquecimento a ponto de danificar o medidor individual aqui no condomínio.
Pelo que investiguei eram os únicos dois que estavam em operação naquele instante. Temos uns 10 espalhados pelo condomínio, todos ligados no mesmo quadro de energia, com as devidas proteções.
Minha tese é de que esse medidor EARU, por ser multi-uso e possuir eletrônica embarcada, não suportou alguma oscilação de corrente ou tensão em alguma(s) fase(s) da rede trifásica. Talvez alguma manobra de rede realizada pela Enel, visto que a empresa tem enfrentado alguns desafios na região metropolitana de São Paulo. Um deles operava normalmente há mais de dois anos e o outro estava em funcionamento desde dezembro.
Como os DPS de 275V não foram danificados, se houve sobretensão foi algo contínuo (ou seja, não foi um surto) e pode ter danificado os circuitos internos do medidor. Apesar de ambos terem apresentado o derretimento dos condutores em uma das fases, um deles apagou e o outro ficou piscando a tela toda em uma cor laranja, como se tivesse em uma pane geral.
Se houve subtensão, talvez o wallbox tenha exigido um aumento na corrente para manter a mesma potência, e por conta desse aumento a temperatura nos bornes tenha aumentado de forma significativa.
Enfim, hipóteses.
Estou postando pois sei que muitos utilizam esse modelo de medidor, então é bom ficarem espertos mesmo que não tenha acontecido nada até agora. Talvez sejam produtos mais adequados para monitoramento de equipamentos que operem com carga média mais baixa.
A solução por enquanto foi trocar por um medidor mais analógico (DDS1108 ou DDS663, que não possuem relé interno, por exemplo).
Por não serem suscetíveis a vibração, nunca pensamos nisso. E acho que também não teria evitado, dado que um deles foi instalado faz pouco mais de 3 meses…
E eu compartilhava esse mesmo palpite quando vi o primeiro caso. Stress termico no contato do borne. Mas quando vi que outro medidor deu o mesmo problema e ao mesmo tempo, mudei de opinião. Alguma coisa externa fez o calor aumentar em ambos, simultaneamente.
Eu acredito mais na hipótese de falha na conexão ou oxidação na conexão. Esses medidores costumam ter alarme de sobretensão e subtensão, em caso de alarme ele “desarma”. Precisaria ver se estão ativados, configurados apropriadamente. Não tenho certeza do que estou falando, mas se estava carregando em 7kw, o carro não iria “pedir” mais corrente pra compensar a queda de tensão, pois o limite já estaria nos 32A.
Infelizmente eu não havia ajustado corretamente as proteções, por default esse medidor veio com limite de 50A, 170V-270V. Então caso a tensão tenha oscilado para cima ou para baixo em até 15% (o que é bastante), ele não desarmaria. E como o DPS também é de 275V, eu desconfio que a tensão tenha ficado nessa banda.
A maioria dos carregadores de VE se comporta como uma carga de potência constante ou limitada, diferente de uma resistência simples (onde a corrente cai se a tensão cai), usando eletrônica de potência para manter o fluxo de carga solicitado. E como a potencia sobe com o quadrado da corrente, qualquer resistência interna pode sobreaquecer com um incremento baixo de corrente.
O que vc descreveu é justamente o motivo do mal contato no borne ser o principal suspeito.
A potência dissipada (calor) cresce com o aumento da resistência, mesmo que a corrente se mantenha. O mal contato entre borne e o cabo aumenta a resistência, gerando mais calor e causando exatamente o que vemos na foto.
Com relação à carga, o carregador não é a carga do circuito, a carga do circuito é o conversor AC/DC do carro. E mesmo que a tensão caia e o conversor aumente a corrente para manter a potência máxima de 6,6kW (em mono/bifásico para a maioria dos carros), essa corrente é limitada a 32A. Dependendo das perdas até pode ser que na entrada do carregador a corrente aumente levemente acima disso, mas o circuito e componentes estão dimensionados para, no mínimo, 40A.
Outro ponto que depõe contra o mal contato nesse borne é que o disjuntor é termomagnético, então além da proteção contra sobrecorrente repentina, ele desarma se a temperatura do circuito estiver alta. Para permitir chegar ao ponto de derreter esse cabo, o ponto de aumento de resistência e maior dissipação de calor tem que ter iniciado aí, pois mesmo com o disjuntor tão próximo, ainda assim levou um certo tempo até aquecer esse trecho suficientemente para desarmar.
E o mal contato pode ser por afrouxamento do borne, como falei antes, ou má qualidade do componente mesmo ou até do terminal usado…
Mas não houve desarme. O isolante do condutor derreteu até o ponto de pifar o medidor.
Eu entendo a sua lógica, e acho que pode ser uma combinação de fatores, mas não acho que seja só uma questão de mau contato ou falta de aperto pois os dois circuitos derreteram no mesmo ponto e ao mesmo tempo. Impossível ser coincidência, algum gatilho exógeno teve. Acho que ninguém tá errado, é uma questão de nexo causal.
Uma tese do Gemini que pode fazer sentido é a de que o relé interno do medidor possa ter sofrido um arco interno:
Vendo seu print, fico feliz de saber que a tese principal do Gemini está em linha com a tese de um engenheiro elétrico à moda antiga, ou seja, humano… rs
Então, essa é basicamente a minha tese. No L tem um relé interno que pode ter zoado com alguma oscilação de tensão externa (eu nunca usei o medidor como interruptor).