Para não congestionar e não descaracterizar o tópico “BYD nas Notícias”, resolvi abrir um dedicado a baterias, que são o graal da indústria de EVs.
Este é um momento de transição com muito investimento e muitas novidades vindas das mais diversas regiões e companhias.Sugiro colocar tais novidades aqui.
Abro com uma noticia bastante relevante neste aspecto, que é o lançamento, feito hoje, da nova linha de baterias de sódio da CATL, já em 4 formatos de aplicação comercial específica. Destacando que o sódio custa 20 vezes menos que o litio (olha a Lei de Moore aí, adoro falar dela), e sua abundância não enseja disputas geopolíticas (a.k.a. guerras).
Por mim, o @admin@renato (quem sabe chamando duas vezes ele atende ) podia criar uma nova categoria chamada Baterias.
Esse anúncio não deixa de ser ‘histórico’, mais um capítulo dessa bela história dos EVs.
Acho mais do mesmo, só que mais barato, mesmo que custe 20x menos, na prática vai custar 30% menos pro consumidor final.
Disruptivo serão as de estado sólido de 600w/kg chegarem a preço de LFP.
Imagina no mesmo espaço e peso atual de bateria do dolphin gs termos 180kw de bateria? Possibilidades seriam:
Fazendo de boas 1200km com 1 carga
Ou a bateria atual ficando 4x mais leve e o carro ficando mais econômico
Ou termos pockets cars para a cidade, tipo o smart for two fazendo 300km de autonomia pesando 800kg ou menos.
Indo pra 1000w/kg já poderemos ter aeronaves comerciais.
E temos protótipos de 5000w/kg… Com essa densidade mantendo mesmo peso e volume da bateria do dolphin teríamos 8400km de autonomia ou na autonomia atual com a bateria pesando míseros 22kg.
Uma redução de 30% no elemento que corresponde à metade do custo de um VE não me parece “mais do mesmo”. Quem já trabalhou em finanças e marketing de uma grande empresa pode apreciar uma evolução dessas e seu impacto no mercado.
E o mundo não vive somente de disrupturas. O mundo dos computadores, de onde vem a própria Lei de Moore, vive décadas de melhorias progressivas, melhorando os equipamentos de litogravura, e diminuindo a resolução dos circuitos de nanometro em nanometro. Não precisamos de um momento disruptivo, como a computação quântica, para obter ganhos inimagináveis econômicos e tecnológicos nesse periodo. Há decadas atrás, vendi um mainframe de 64MB de memória acoplado a um array de discos de 25GB por 4 milhões de dólares. Não precisamos de disruptura, mas de muita progressão para chegar a um celular com 10.000 vezes a capacidade daquele mainframe por 1/10.000 do seu preço.
Bons tempos indeed, só viajávamos de classe executiva e os allowances de almoço eram irados!
Foi a época em que todos achavam que a IBM era prejudicada pela reserva de mercado mas era o contrário. A maioria das empresas precisava não mais que um sistema médio como o /360, mas pela reserva só podiam comprar Scopus, Sid, Digirede nacionais. As empresas preferiam então comprar mainframes 4341 e 4381, muito mais caros e lucrativos, mas, como se dizia, “nenhum CIO era demitido por ter comprado IBM”.
Isso provavelmente não ocorrer dessa forma. Quando chegarmos nas baterias sólidas de alta densidades, o caminho natural da mão invisível do capitalismo é reduzir o tamanho e peso das baterias mantendo um volume de energia suficiente para 300 a 500 km.
Alias esse hoje é um problema de dirigibilidade dos elétricos.
O quão mais rápido e econômico seria um Dolphin + com 600 quilos a menos de peso? A durabilidade da suspensão, pneus e buchas, tudo melhoraria.
A verdade é que as vezes a gente se ilude e acha que essas grandes empresas se importam com a natureza e querem fazer o bem para as pessoas quando na verdade é só questão de criar um novo eco sistema de transporte onde eles vão derrubar as montadoras comuns e redes de combustíveis. E assim substituir essas redes por novas oferecendo redes de recarga rápida, que vai garantir a eles uma confortável mesada durante os intervalos que as pessoas trocam seus carros por novos.
A própria BYD ja fez declarações sobre esse objetivo dizendo que carros elétricos não precisam de mais de 500 km de autonomia, mas sim de redes de recarga super rapidas. E faz sentido, uma bateria de D+ hoje pesa 900 quilos. Se eles triplicarem a capacidade, podem fazer 3 baterias de 300 quilos e cortar custos.
Não é tudo isso não… As LFPs atuais tem cerca de 150 Wh/kg, que daria um peso de cerca de 400kg para o Plus. Colocando refrigeração e proteção em baixo (que continua sendo necessário mesmo com outra bateria com mais densidade energética) o peso fica em torno de uns 500kg.
Ainda assim bastante, uma redução no peso certamente ajudaria muito no consumo e no stress da suspensão.
Ninguém nunca se preocupou com um carro a combustão que ande 1000km sem abastecer. Por que? Porque tem posto pra todo lado, é difícil ficar na mão, embora alguns consigam.
Hoje a gente sonha com elétrico de 1000km porque ainda faltam pontos de recarga. No dia que as redes de recarga forem tão ubíquas quanto postos de combustíveis, e as recargas forem rápidas ao ponto de não deixar ninguém esperando, a autonomia vai deixar de ser um problema.
Sem contar que uma bateria com 3x a capacidade atual, levaria 3x mais tempo para uma carga completa. Por mais que a gente não precisasse carregar totalmente nunca, a sensação psicológica de nunca ter o carro com o tanque cheio afeta a percepção dos consumidores e a gente vê não é de hoje as bobagens que as montadoras gastam dinheiro so pra diminuir esse tipo de sensação como a Honda que faz um CVT com simulação de marchas. Chega a ser ridículo pensar que uma empresa invente um cambio automático que justamente tem como melhor característica não ter marchas e depois gaste dinheiro colocando um sistema pra simular justamente o problema que ele naturalmente já tinha resolvido.
Não é tão simples, um carro a combustão “recarrega” em 5min, por mais avançado que seja o carregador elétrico, creio eu que não será menos de 30min no Brasil, devido a diversos fatores que não vamos elencar aqui pois não é o objetivo. Então se forem 30min, precisaria de 6x mais eletropostos para equiparar, claro que nem todo mundo irá carregar no eletroposto visto que a vantagem é carregar em casa.
Mas uma bateria digamos com 600km de autonomia supre praticamente 90% do uso em viagem, claro que sempre tem aqueles que fazem 1000km no dia.
Dizendo isso digamos que a taxa de 6:1 dos postos cairia pra 3:1 com baterias de 600km ou mesmo 1,5:1 se for 900km de autonomia ou praticamente elimina os eletropostos se pensarmos que viaja 900km, descansa em hotel recarregando o carro.
O ponto é que 30 minutos a cada 300-400km não é o fim do mundo. O fim do mundo é o usuário médio, que não é o usuário que frequenta esse forum, não saber onde vai carregar. Se cada um dos postos de combustíveis tiverem pontos de recarga, esse problema acaba.
Sobre o seu “cálculo” da proporção de postos de combustíveis x pontos de recarga. Isso só faria sentido se TODOS dependessem 100% desses pontos de recarga.
A realidade é que, com planejamento, muitas regiões já têm pontos de recarga suficiente. O que falta é ponto de recarga sem que o tiozinho de 60+ precise aprender a usar um ABRP pra planejar a sua viagem. E a persona do tiozinho 60+ é um exemplo extremo, porque eu conheço dono de VE na faixa dos 20-30 que não viaja com o carro porque não sabe/tem preguiça de planejar.
Eu gostaria de ter uma bateria com mais autonomia do que os 400km do D+, mas uns 500km já seria o teto pra mim. Não quero uma bateria que leve 20-30 horas pra carregar em casa, e nem quero ficar carregando entre 50-100% ou 20-70%, visto que eventualmente é benéfico deixar a carga cair até 20% e carregar até 100% em seguida, com 1000km isso seria um inferno.
A BYD está trabalhando nos carregadores de mil volts justamente focando na sonhada recarga de 5 minutos.
Mas não numa bateria de 900Km de autonomia pq fere em 2 lados a sua estratégia de mercado:
Primeiro, uma bateria de 900 Km poderia ser utilizada pra fazer 3 carros de 300km em vez de 1 só de 900. Isso significa deixar de vender 3 carros baratos, que vão gerar manutenção e revisões em troca de 1, que teria de ser bem mais caro só pelo material utilizado na bateria e portanto mais difícil de vender em escala.
Segundo. Justamente o mercado de carregadores rápidos. A BYD está trabalhando em novos tipos de recarga rápida, com esses sistemas de 1000v e baterias estacionarias, além de já fazer painéis solares.
Imagina uma marca como a Ford não só fazer carros, mas ter uma refinaria de petróleo, fabricar as bombas de postos e distribuir a gasolina.
Vender em todos níveis do mercado automotivo, do cliente final ao vendedor de combustível é o foco aqui, para continuar lucrando com cada KM rodado dos carros e não só a venda inicial e revisões.
Exatamente o que fez a Tesla. Longe de mim vangloriar o Kiko foguetes, mas a estratégia é insana. Vende o carro e ganha receita recorrente com recargas, uma receita recorrente SEM depender de problemas/falhas que desgastam a visão de qualidade do produto…
A questão é que são 5min na combustão e 30 no elétrico. Outra coisa, 1 posto de combustível com 1 bomba atende 12 carros em 1h, já um eletroposto se for encher a bateria toda só atende 1 e olhe lá. Isso mesmo com recarga ultrarrápida, porque os primeiros e os últimos % da bateria sempre são em carga mais lenta.
Não sei quem é, qual a questão? A infra do Brasil no momento não consegue nem transferir a energia gerada no Nordeste pro sudeste ou sul. Caso esteja falando na infra local, aqui em Porto Alegre até 60kw de carregador está ok, acima disso cobram até a fita isolante pra levar a infra até o local do eletroposto, pois um trafo no poste pode ser usado para UM carregador de 60kw ou para 60 apartamentos, qual tu acha que é o interesse da concessionária de energia?
Daí te pergunto, armazenamento de dados, um HD de 2TB custa 300,00 e um de 3TB custa 350,00 qual tu pegaria? Se 2TB fossem suficiente para todos os usuários porque a fabricante faz HD maiores se pode fazer vários menores e lucrar mais?
O que vai definir o tamanho das baterias não será as montadoras e sim o mercado.
E o mercado em Portugal que 500km tu vai pra qualquer parte do país é bem diferente do Brasil que é intercontinental.