Olá a todos. Estou prestes a adquirir um Dolhphin GS. Mas a questão da durabilidade das baterias ainda é fato de preocupação para quem deseja adquirir um elétrico.
De acordo com manual a condição NORMAL da bateria é estar com capacidade igual ou superior a 60% da capacidade máxima da bateria. Isso me fez repensar a compra.
Sendo assim podemos considerar que haverá a perda da capacidade, possivelmente, em percentual de até 40% em 8 anos. 291km (INMETRO) em uma regra de três passaria a ter autonomia de 174,6km.
Quem possui veículo há mais tempo percebeu essa perda? O que poderia ser feito? Somente a troca de todo conjunto de baterias? Ou já há oficinas especializadas que substituem apenas os módulos com problemas?
Sugiro dar uma olhada na busca, pois como é um assunto muito explorado, você encontrará informações bem completas.
Tem vários tópicos sobre esse assunto. Mas resumindo bem. Garantia é pra cobrir casos extremos. Você provavelmente só vai chegar nessa degradação de usar muito, mas muito mesmo, ou se tiver um defeito de fabricação.
Procura pelo Gilson Teixeira no Youtube. Ele tem revisão de um Dolphin com 240 mil km e a bateria perdeu 10%. Com essa quilometragem, o carro já se pagou só com a economia em combustível e manuteção. Ele pode jogar o carro fora que ainda fica no lucro.
Eu ficaria mais preocupado com gasolina batizada, troca de óleo, troca de filtro de combustível, troca de filtro de ar do motor, correia banhada a óleo, ou a seco mesmo, fluido de radiador, limpeza de bicos, escapamento furado, trambulador quebrado, troca do disco da embreagem, queima de óleo, retífica…
Olhei o vídeo, tirou um pouco da apreensão.
Obrigado pela dica.
Tenho o Dolphin há 2 anos. Bateria está com saúde em 96%.
Amigo, eu tenho o carro há 2 anos e 21 mil km. Até o momento percebi zero degradação da bateria, a autonomia na prática tem sido a mesma desde zero (não medi o SOH, entretanto).
Eu não me preocuparia com isso após ler os relatos de quem já rodou bastante.
Também tenho um Dolphin Plus quase 40 mil km, 2 anos de uso, não medi, mas posso dizer com segurança que a degradação é virtualmente zero, imperceptível. Ainda mais que nunca deixei a carga cair abaixo de 30%, raramente carrego em 100% (somente quando vou viajar). O normal é manter, no dia-a-dia urbano, entre 45 e 67%. Outra observação importante é que, segundo alguns estudos, a degradação diminui com o tempo. Ou seja, no caso do Dolphin de 280 mil km do Gilson, provavelmente a taxa de degradação vai diminuir e vai manter a carga na faixa dos 85-90% por muuuito tempo. E olha que era motorista de aplicativo, então provavelmente carregava todo dia a 100% e descarregava até um nível bem baixo.
Chamo a atenção que a BYD orienta que a bateria deve ser carregada até 100% toda semana. Isso é necessário porque carregamentos sem chegar aos 100% fazem o mostrador de carga ficar cada vez mais impreciso, assim você pode chegar ao ponto de o carro desligar com o painel mostrando ainda alguns % de carga.
Sobre o tópico, vendi meu Dolphin GS com 50 mil km e fazia 400km com uma carga sem problema. Estava igual a quando tirei da concessionária.
Você está seguindo uma boa prática para baterias de NMC, pena que os BYD usem baterias de LFP.
Uma calibração da BMS de vez em quando elimina os erros acumulados que o @rsarres se refere.
Chamo a atenção que a BYD orienta que a bateria deve ser carregada até 100% toda semana. Isso é necessário porque carregamentos sem chegar aos 100% fazem o mostrador de carga ficar cada vez mais impreciso, assim você pode chegar ao ponto de o carro desligar com o painel mostrando ainda alguns % de carga.
Oi, @rsarres! Agradeço pelo aviso. De fato, o manual da BYD recomenda carregar a 100%, tudo indica que essa recomendação é para manter a BMS calibrada. Mas a não ser que você goste de emoções e deixar a carga chegar a poucos porcento, você não precisa de tanta precisão assim. A BMS faz um bom trabalho integrando a corrente que entra e sai e calcula razoavelmente bem o percentual de carga provável para uma faixa de tensão. Na verdade deixar a carga cair abaixo de 10% é uma das poucas coisas que vai fazer a bateria LFP ter uma degradação mais séria. Então é uma questão de perfil de proprietário. Eu sou do tipo que quer tentar evitar o mínimo de degradação da bateria. Por outro lado existem aqueles que preferem uma medida de carga o mais exata possível. Como não sou extremista, quando surge a mensagem no painel (sim, ela surge! E sim, o manual não fala dela!) dizendo para carregar a 100% para calibrar a BMS, eu carrego. Confio mais na mensagem do carro do que no manual… Mas dá pra rodar mais de mês ou meses sem que a mensagem surja, sem problemas, desde que você não arrisque descarregar demais a bateria. Como eu disse, costumo manter sempre entre 45 e 67 porcento.
Oi, @dawtaylor tudo bem? Não concordo totalmente. As LFP continuam sendo de lítio. duram de 3 a 10 vezes mais que as NMC, mas ainda vale a recomendação de manter a carga “no centro da faixa” se seu objetivo é preservar ao máximo a bateria. Entendo que mesmo carregando a 100%, provavelmente sua bateria ainda vai estar bem utlizável na faixa dos 1 milhão de quilômetros. Não creio que um carro dure tanto, mas bem gostaria que ele estivesse com pelo menos 95% da capacidade orginal da bateria aos 200 mil km. Esse é o meu experimento particular. Daqui 8 anos eu conto neste fórum se deu certo. ![]()
Com relação à BMS, pelo que pude constatar, ela faz um trabalho excelente integrando a corrente que entra e sai da bateria. No caso das baterias LFP, não dá pra estimar com precisão a carga usando somente o valor da voltagem. Então a BMS calcula quanto entra e quanto sai de corrente (e, portanto, de carga) e, usando a voltagem apenas como referência, consegue fazer uma estimativa bem razoável. Claro que você não deve arriscar deixar a carga muito baixa sob risco de ficar sem carga, mas se você for como eu e nunca deixar cair muito (mesmo porque deixar cair abaixo de 10% é bem estressante pra bateria), não precisa se preocupar com isso. Acho que um bom momento pra carregar a 100% é quando o próprio carro dá uma recomendação de carregar totalmente pra calibrar a BMS.
Ok, mas outro motivo para se carregar completamente a bateria LFP periodicamente é o balanceamento das células. Não tenho certeza, mas acho que a BMS faz o balanceamento das células quando a bateria está em alto SoC. Então, se você evita alto SoC, você pode estar contribuindo para o desbalanceamento das células e reduzindo sua vida útil.
Não é uma questão de opinião, é uma questão técnica. Na faixa de 20-80% o BMS precisa estimar a carga considerando uma contagem de elétrons, essa contagem não é precisa. Fora dessa faixa a variação de tensão é suficiente para aferir a carga, nessa faixa a variação é mínima.
Ninguém está sugerindo que você SEMPRE deixe a carga cair abaixo de 20% e SEMPRE carregue até 100%, eu não faço isso. Mas eventualmente, segundo recomendações da própria BYD, é importante pelo menos chegar até 100%.
Dá uma olhada no canal Engineering Explained sobre baterias de LFP.
Se não houvesse diferença no comportamento das diferentes químicas qual seria a vantagem de usar uma em detrimento da outra? Apenas custo?
Lítio é 1 dos elementos químicos da bateria e os demais elementos são tão importantes quanto.
O balanceamento das células é feito durante carga e descarga. Essa ideia de que o BMS vai “transferir” carga de uma célula pra outra não faz o menor sentido, afinal, transferir carga de uma célula para a outra ocasiona perdas e esse processo causaria a perda de carga.
O balanceamento é feito ao priorizar a célula com mais carga na hora de descarregar e a célula com menor carga ao carregar. E esse é mais um motivo para expor periodicamente o BMS à curva de tensão inferior e superior, do contrário o BMS precisa fazer esse balanceamento “de cabeça” com base no quanto ele mediu que entrou/saiu de cada célula.
Não estou conseguindo encontrar o gráfico de temperatura que eu gravei. Mas a temperatura da bateria (célula a célula) ficou bem estável em uma ocasião que eu cheguei com 5% em casa, o mesmo aconteceu ao carregar desses mesmos 5% até 100%.
Esse medo do stress térmico das baterias fazia muito sentido em carros com gestão passiva de temperatura, nos nossos carros com gestão ativa de temperatura isso não é tão problemático quanto parece. Isso considerando carga lenta AC, claro.
No final o mais importante é seguir a recomendação da montadora para manutenção da garantia. Com uma simples regra de 3 é possível saber se você segue ou não a recomendação de carregar até 100% com alguma frequência.
*When using cell voltage to guess SoC, typical BMSs use algorithms called “top” or “bottom” balancing. In these algorithms, the BMS attempts to balance only when cell voltages are nearly maximized at 100% SoC or nearly minimized at 0% SoC. As a result, in typical usage patterns where batteries are usually not charged to 100% or discharged to 0%, the cell balancing algorithm rarely has an opportunity to balance during regular operations. *
https://www.zitara.com/resources/demystifying-battery-balancing
Não sei como o balanceamento da BYD funciona, mas fica a referência que BMSs normalmente aproveitam altos SoCs para balancear as células.
Perceba que são informações complementares. O balanceamento top/bottom acontece em baterias LFP devido à curva plana entre 20-80%. Nesse intervalo o BMS não tem como saber exatamente o delta de tensão entre as células, então ele vai carregar/descarregar de forma semi aleatória, com base na contagem de elétrons. Mas não prioriza o balanceamento e a carga/descarga das células, então o delta real de carga pode variar bastante quando se interrompe a carga abaixo de 80%.
A lógica é que, durante a carga, a BMS vai fazer uma distribuição em um esquema round robin, carrega um pouco cada célula, se uma célula chega no joelho superior, ela “sai” da rotação até que todas cheguem nessa faixa. A partir daí o BMS consegue aferir a variação de tensão de forma mais precisa e consegue balancear a carga.
A questão de chegar a 100% acaba sendo mais para que o BMS consiga medir a tensão máxima de cada célula, a partir daí ele vai estimar o SoH. Quando se faz uma carga de 20 a 100% ele consegue estimar melhor por ter feito uma medição nas faixas inferiores e superiores, mas não é como se precisasse fazer isso sempre.
Na próxima carga eu vou deixar o car scanner gravando de novo, tenho feito alguns experimentos/observações envolvendo essas cargas/descargas. Compartilho por aqui quando tiver mais dados, e parar de perder esses dados também.
Oi @Surak, tudo bem? Quem mandou vc levantar o assunto dos 80% de bateria novamente… ![]()
Manda pra gente uma parcial de como está o SOH e quilometragem, gostaria genuinamente de acompanhar seu experimento.
Não tenho informações detalhadas de como a BMS da BYD funciona, mas em geral, não há carga de células individuais pela BMS, exceto em sistemas mais complexos e caros. Se você tiver informações que comprovam esssa forma de operação (round robin) na BMS da BYD Blade, por favor, compartilhe conosco. Eu realmente fiquei curioso com essa afirmação.
Os métodos principais de balanceamento de baterias automotivas são resistores para reduzir a voltagem de células que estão acima da carga desejada e transferência de energia entre células, o que é mais eficiente, pois não desperdiça energia com resistores.
Acho que você misturou duas coisas aqui. Os bleed resistors são usados em sistemas de balanceamento passivo, convertendo excesso de energia em calor, causando o consumo (perda) da energia. A transferência entre células acontece em sistemas ativos, onde o sistema tenta carregar uma célula de menor voltagem usando o “excesso” de energia em uma célula de maior voltagem.
Em ambos os casos existe perda de energia, no caso do gerenciamento passivo o excesso é desperdiçado completamente, no ativo é aproveitado com eficiência na ordem de 85-95%, mas nunca 100%.
Sobre a carga individual das células, eu estava tentando ser menos técnico mas, relendo a informação, percebi que acabou ficando imprecisa.
Infelizmente não creio que teremos informações detalhadas sobre como a BYD faz esse processo, dado que tudo que temos acesso são patentes e conjuntos de dados observados.
Existe a menção sobre um sistema de balanceamento baseado no high voltage turning point, mas o documento está todo em Chinês. BYD's Battery Management System
Vou evitar fazer novas afirmações sobre isso por ser técnico demais e já estar muito no baixo nível do funcionamento da BMS.
Ha, ha, ha!!! Boa, Júlio! Sim, é uma discussão acalorada, né? Mas acho legal pra caramba, porque mostra o alto nível do pessoal, aqui (você incluso!). Pessoal bem informado, muito bom, isso.