A leitura da amperagem de entrada e saída é instantânea e não há erro incremental acumulado nessa medição. Caso houvesse, o valor de KW instantâneo que aparece no painel de um carro com alta quilometragem ficaria completamente errado. Leia a frase e verá que é disso que me refiro.
Mais um esclarecimento: quando digo que o carro mede “com precisão”, obviamente estou me referindo “precisão suficiente para o objetivo”, pois não há precisão absoluta, ou seja, não existe uma medição com absolutamente nenhum erro.
Então, ao me referir à medição instantânea (exatamente como escrito), minha frase está correta, não está mais ou menos correta como você sugere, sorry.
Suponho que você esteja se referindo à estimativa de carga restante da bateria que o carro calcula quando escreve “integrar as leituras”. Nesse caso, realmente esse problema ocorre. Esse é o princípio da propagação de erros ou acumulação de incertezas.
Mas, discordo quando você diz:
Não vou afirmar categoricamente que você está errado, até porque está dúbio se você inclui cargas completas quando você cita “ciclos”. Vou apenas externar minha opinião discordante abaixo.
Mesmo com essa propagação de erro das medições instantâneas, o software do carro tem pontos de controle onde ele pode eliminar esse acúmulo de erro na estimativa de carga restante da bateria que aparece ao condutor.
Abaixo eu explico como eu suponho que o software do carro funcione nas questões de estimativa de carga restante e saúde da bateria:
1- O carro sai da fábrica a informação de carga inicial máxima da bateria. No meu caso, Dolphin GS, 44,9kWh.
2- Quando o carro carrega até 100%, a bateria apresenta um pico de voltagem. Nesse ponto, o software considera que a carga restante da bateria seja 44,9kWh.
3- Ao andar com o carro, a medição de amperagem instantânea vai subtraindo a saída de energia pela aceleração e somando a entrada de energia pela regeneração. O resultado desse cálculo vai sendo mostrado no painel no medidor de carga restante. Nesse ponto, realmente está acontecendo a propagação dos pequenos erros de medição de amperagem que refletem na estimativa de carga restante da bateria. Então, com o tempo, o medidor de carga restante (não o de amperagem instantânea) vai se tornanco cada vez mais impreciso.
4- Porém, opino que esse erro não se propaga entre ciclos de carga completa. Ao realizar uma carga completa, o software agora passa a supor que a bateria está novamente com 44,9kWh. A propagação dos erros da medição de amperagem instantânea é eliminada, pois essa informação de carga máxima em nada depende dos cálculos intermediários no uso do carro, mas sim do pico de voltagem quando a bateria não mais suporta carga adicional.
Suponho que seja justamente devido a essa propagação de erro que a BYD orienta no manual que os proprietários carreguem o carro até 100% toda semana. Se voce passar muito tempo sem essa carga que “zera” a propagação de erro, seu indicador de carga restante ficará muito impreciso.
5- Porém, sabemos que a bateria não terá 44,9kWh para sempre, ela sofre degradação. O software precisa ajustar esse número de capacidade máxima da bateria com o tempo. Suponho que seja por isso que a BYD orienta que os proprietários calibrem a bateria a cada 6 meses. O procedimento de fazer uma descarga profunda seguida de uma carga lenta parece o ideal para o software calcular quantos kWh essa bateria ainda consegue armazenar. É como esvaziar um balde e encher lentamente contando quanta água é capaz de entrar sem “derramar” (pico de voltagem). Suponho que a orientação da carga lenta seja motivada pela precisão maior do medidor de amperes em cargas mais lentas. Com essa informação, o software pode calcular quantos % a bateria ainda consegue armazenar de carga. Quando essa nova informação é comparada com a capacidade inicial, temos o battery health.
Eu acho que o software também faz ajustes pontuais no battery health constantemente, mesmo antes da “calibração”, pois o battery health altera mesmo sem o processo de calibração “formal”.
Enfim, está aí a versão longa do que eu queria dizer ao afirmar “Então seria bem razoável usar essas medições para se estimar quantos KWh a bateria ainda pode armazenar.”.
E por isso opino que o autor do vídeo está completamente errado ao dizer que o battery health é uma equação de ciclos e idade da bateria.